sexta-feira, 12 de março de 2010

Pra sair um pouco da reciclagem de poemas antigos, segue algo totalmente contemporâneo, um teste de como ficam minhas novas idéias "no papel".

Análise


Vendo o vicejar pujante que pulula aqui febril

Tomo a lânguida idéia de tecer a tramas mil

E me posto em postura ao pleno ou pueril


Idealizo sentidos nunca pressentidos ou clamados

Clarões de texturas e sabores não- identificados

Labirinto erigido que compele a tais cuidados


Fujo pelo caminho do ninho da trapaça que ameaça

Numa estratégia de antever o tal descer da maça

Contornando o entorno do forno que me assa


Provo do que vem provar que este mar é armadilha

E torno em fortaleza a certeza de fugir da ilha

Da ousadia minha tardia covardia é filha


Escalando a farpa no topo da escarpa eu escapo

Sou completo, e decerto perto de um farrapo

Entro e saio do buraco e ainda não o tapo


Persistente é o ardil de um desvio traçado ao perto

Compro cada mapa e vou pelo vil e pelo certo

Ganho no que perco no cerco do indiscreto


E assim vou indo, pra que o fim chegue ao começo

Com início ao alcance da chance de um tropeço

Suplício vitalício vital pra vitoria que mereço

Aqui fui inspirado em anotações que encontrei de minha fase "jovem zé-ruela", quando não sabia como abordar os alvos de minhas primeiras paixões...

Baixos e Baixos


Primeiros passos

Confusos e crassos


Na insensatez

De quem perde a vez


Erro incontido

Afã reprimido


Pesa na balança

Não saber a dança


Queimado em fogo

Por ser ruim no jogo


Falta de senso

Sobre os olhos um lenço


Plano confuso

Uma ação, um abuso


Sem virada de mesa

Impraticável certeza


Ficam escombros

Pesando nos ombros


Não há manual escrito

Que deixe o tosco bonito


Ato incerto

É ficar por perto


Piada do destino

Universo em desatino


Meta abatida

Nos caminhos da vida


Teimosia insensata

Que a fantasia maltrata


Primeiro instante

Anulando o adiante


Gesto tacanho

Gélido banho


Atitude torta

Que fecha a porta


Começa em talvez

E termina em sem vez

quarta-feira, 3 de março de 2010

Este é curtinho, mas 100% concebido hoje, sem a reciclagem de idéias antigas.

Percepção


Ouvi, e sei assim que o fim sempre tem seu meio

Escutei o tropeço daquele começo onde só há vazio

O som que captei é o dom que usei pra achar o veio

Com braço forte e alguma sorte já nadei no rio

Entendi a beleza na natureza do que parece feio

Onde o que conduz se reproduz sem estar no cio

Pois o que vi é nada, e também tudo em nosso seio

E se senti algo foi a dor no calor que nos dá frio


Este é o enigma da vida

A luz escondida, mas jamais suprimida


O que os olhos mal vêem

É muito mais do que as mentes crêem


Percepção miúda, tosca

Há todo um universo na pequena mosca


Caminhemos, pois, então

Na modesta trilha oferecida pela razão


Muitos mistérios

Não deixarão de sê-lo

Estão além do hemisfério

E num fio de cabelo


Não nos cabe desvendar

O que não cabe no olhar

Mas no fim da trilha

A luz enfim brilha