sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Digamos que o trabalho a seguir seja uma espécie de "parte dois" do poema "Sólido", que postei anteriormente - tanto na temática quanto na estrutura.


APRENDIZ DE VIVENTE


Declino sonhar a vida aqui saída do perene circo

Onde sorvo esta bebida envelhecida a cada ciclo


Escopo audaz ou um fugaz rabisco em mero teste

Sempre incapaz de dar retorno assaz que preste


Anulo o tenso avanço e penso já confirmar a norma

Mas só em torque intenso vejo senso em sua forma


Tortuoso estilo em que a palavra lavra certa tese

A voz que fundo crava a frase brava que se preze


Pelo mote do adereço a gente paga o preço e vai

Mas desconheço se é o começo de tudo que cai


A luz que acende também rende o torpe medo

Nem mesmo entende ou defende ou acha cedo


Alguém que se enverga ao peso e entrega cada ponto

Não enxerga o que se prega neste sutil e velho conto


Seguir uma rota reta mata a meta e leva a nada

Só a torta seta indica a curva certa pra chegada


Devo ir onde não fui jamais, no caos, na paz, no centro

Provar menos de mais, ver o que é, o que faz, o dentro


Conclusões são distrações a diluir qualquer ação

Especulações, suposições, combustíveis da razão


Fleumático olhar para um mar de coisa alguma

É o puro reciclar sem encarar pra onde se ruma


Teste a seara vasta que afasta adeptos de abrigo

Já basta, viva cada casta, saia e corra pro perigo


Sutil e lânguido ardil tece o labirinto sem saída

Escuro e vil, “cura” a então febril trama da vida


Pico escalado, mundo revelado, novo fim e começo

Suave errado, é no matagal cerrado que há tropeço


Assédio insinuante ao tédio do pensar doente

Ser médio é tumor cujo remédio é ir em frente


Prenda tosca que seduz e conduz ao torpor

Acenda a luz, tire o capuz, procure a boa dor


Mais um passo, pule o crasso e finque o mastro

No cansaço é que há espaço pra perder o lastro


Seja, veja, tente, invente, é bom se chove

Eleja sua peleja, sente em frente - e prove


Rugido no ouvido, vitamina dos sentidos meus

Round perdido, round vencido, atos de Deus

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Finalmente algo novo, aproveitando apenas pequenos ensaios descartados tempos atrás.



FEITO EM GLÓRIA


Antiga glória

Glória assim completa e plena

Fez história

No registro de uma cena

Desenhada pela pena

Peremptória


Consagrado feito

Feito para a consagração

Impõe respeito

Um relato onde a paixão

Que envolve a situação

Foi tão perfeito


Antiga glória

Glória então incontestável

Não só memória

Mas passagem memorável

Hoje inviável

E notória


Consagrado feito

Feito eterno em canção

É como um leito

Onde o futuro então

Apóia a sua ação

Pra ser eleito

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Um tributo à minha amiga Roseli, cuja atenção especial ao meu filho e todas as crianças certamente já lhe garantiu um lugarzinho no "Céu".


Coração Gigante


Coração gigante

Raiva contida

Amor o bastante

Pra curar qualquer ferida


Coração gigante

Derrotas vitoriosas

Não descarta o importante

E colhe suas rosas


Coração gigante

Bonança após tempestade

Sorriso radiante

Lágrimas pela metade


Coração gigante

Nos altos e baixos

Seguro e confiante

Oferta beijos aos cachos


Coração gigante

Só vale o que importa

A vida é o bastante

Nunca fecha sua porta


Coração gigante

Um pouquinho é um tudo

Otimismo radiante

Que lhe serve de escudo


Coração gigante

Sempre cabe mais cem

Adotando o errante

Libertando o refém


Coração gigante

Mãe de muitos e mais

Sempre uma constante

No mar bravio, é o cais


Coração gigante

Atenção para todos

Carinho incessante

Desmascarando os engodos


Coração gigante

Um abraço no mundo

Impressionante

Amor que vai fundo


Coração gigante

Atrai e adere

Para o alto e avante

Ajuda aquele que o fere


Coração gigante

Força da gravidade

Congestionamento constante

A orbitar sua bondade


Coração gigante

Coração dela que é nosso

Vai adiante

Sem remorso


Coração gigante

Coração sublime

Luz cegante

Piso firme


Coração gigante

Coração aqui, coração lá

Coração de diamante

Que ela nos dá


Coração gigante

Coração cacique

Coração amante

Coração com pique


Coração gigante

Coração vivo

Coração pulsante

Coração ativo



Coração gigante


Coração amigo


Coração gigante


Coração abrigo


Aqui vai um poeminha curto, simples... porém, creio eu, bem simpático. Notem a simetria "crescente", adoro este tipo de coisa (brincar com o "layout")



PASSIVO



Adoro ver que adoro te olhar

E te vejo

Nego-me as forças para te negar

E te desejo

Gosto de gostar de nesta teia entrar

É o que almejo

Sabendo que só o que sei não vai mudar

O sabor do seu beijo

Capricho um caprichoso e postergado tocar

E finalmente te cortejo

sábado, 21 de novembro de 2009

Mais um da adolescência - época na qual nove em cada dez de meus poemas e letras eram sobre amor, paixão e outras coisas nocivas, rsrsrs...

MANIFESTO


Tudo o que sobre ela digo não me satisfaz:

Que culpa tenho eu se a acho linda demais?

Tentei esquecê-la por um segundo ou mais...

Não fui capaz!


Tudo o que sobre ela digo não é suficiente:

Que culpa tenho eu se a acho tão atraente?

Se é doença venerar um outro ser vivente...

Estou doente!


Tudo o que sobre ela digo é a simples verdade:

Que culpa tenho eu se ela é a suprema beldade?

Tivesse eu o poder de manipular a realidade...

Ela seria minha metade!


Tudo o que sobre ela digo ainda é muito pouco:

Que culpa tenho eu se ela quase me deixa louco?

Se duvidarem, estes versos vou gritar em troco...

Até ficar rouco!


Tudo o que sobre ela digo é o que minha visão me diz:

Que culpa tenho eu se meus olhos a elegeram miss?

Em meu palco ela será sempre a principal atriz...

Em um eterno bis!


Tudo o que sobre ela digo é mero uso de adjetivo:

Que culpa tenho eu se o seu sorriso me fez cativo?

Sua existência já é suficiente razão pra estar vivo...

Sim, me dá motivo!


Tudo o que sobre ela digo não faz jus à incrível beleza:

Que culpa tenho eu em conhecer tal triunfo da natureza?

Se de repente fossem aqui instituir uma linha de realeza...

Ela seria princesa!


Tudo o que sobre ela digo é como uma pequena e solitária ilha:

Que culpa tenho eu se o destino me jogou nesta armadilha?

Agradeço aos deuses por nos enviarem sua mais bela filha...

Que em meus olhos brilha!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Juntando pedaços de alguns toscos e inacabados poemas dos meus tempos de adolescente apaixonado, montei o que segue abaixo. Viva a reciclagem!


ESTE CHOQUE


Seu nome é uma palavra que faz o fã inconseqüente

Seu nome é uma coisa que abala

Interessante e quente

Som tão diferente

Que faz carente

Onde Este Choque cala


Seu beijo é uma idéia que faz qualquer um obsessivo

Seu beijo é uma imagem que corrói

Um prêmio definitivo

De teor proibitivo

Que faz cativo

Quando Este Choque dói


Seu corpo tem um magnetismo por demais inusitado

Seu corpo é mais que obra divina

Algo a ser só admirado

Sonho materializado

Espírito abalado

Que Este Choque fulmina


Seu jeito é uma visão que prende, consome, desgasta

Seu jeito nos entorpece e prende

Não se pode dar um basta

Nada afasta a nefasta

Onda que arrasta

Quem Este Choque rende


terça-feira, 20 de outubro de 2009

O tema abaixo me estimula bastante, pois trata do que considero a mais saudável postura perante a vida, que sempre procuro seguir e recomendar.


SÓLIDO


A verve que me enerve neste palco decadente

E me entorte até a morte com a sátira demente


Mesmo que curve jamais turve o que sou inteiro

Pois tal praga não será chaga em meu roteiro


A lança espeta e ainda não afeta o inflexível ego

E a tentação que corrói a razão eu sempre nego


Me eviscerem mas não degenerem esta diretriz

Já que tudo bate em meu escudo e ainda sou feliz


A vida aborta minha horta, impedindo ali colher

Eis que então planto bem no canto e não deixo de viver


Sempre por um fio em desafio sei que não posso parar

Ao caos tolero e firme espero o que vem me fustigar


Retenho todo o empenho e permaneço no posto

Se me abate o duro embate logo fico recomposto


Assim aceito erguendo o peito a regra inteira

Qualquer ação é uma lição e o lema da bandeira


Sou versátil, mesmo que volátil, e acrescento

Pra saber o tom do que sou bom, eu tento


O desconexo não me faz perplexo ou abala

Não sou a foz, mas tenho voz, ninguém me cala


Intrínseco virulento alento que não dá nada

É o cego laço do seguir o passo da manada


Perdas e danos, ledos enganos, troféu na mão

Perene insumo que dá prumo a cada ação


Obliterado é o céu atrás do véu deste cenário

Nunca me alisto, farda não visto, sou mercenário


Não sou normal? Não sou igual, ou venero um molde

Na alegria da idiossincrasia o viver me sacode


Sem trava ou tranca quebro a banca e colho o novo

Rasgo o selo do modelo que só choca o mesmo ovo


E neste enlace tenho a face de um desajustado

Sendo que o ajuste é um embuste sem aprendizado


Uso e abuso do que orbita minha visita a esta peça

O que está além não me faz refém, não me interessa


Querer demais sufoca a paz e quebra o foco certo

Dia após dia a sabedoria está tão perto


E assim, temperos vêm a mim, os quais abraço

Antes e depois, renego aos dois, e caço


Errado? Certo? Longe? Perto? Vivo o agora

É lenda superar a venda do que há lá fora


Abaixo o alarde, a hora da verdade não é essa

Provo a textura sem censura ou pressa


Portanto, me levanto e sinto, e vejo

Saio do canto e suplanto o valioso ensejo

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Este foi o mais simples e agradável (por isto mesmo, eficaz) dos muitos poemas que fiz em meus idos tempos de adolescente com síndrome de "paixonite".


EXTRATO


Amada, se prepare e não pare na entrada do quarto

E saiba que muito te adoro e te quero, de fato


Amada, meu torpor é seu odor que me agrada ao olfato

E só pra tocar em você é que hoje me serve o tato


Amada, me deixe abaixar pra tirar de seu pé o sapato

E me beije de um jeito que sele este nosso trato


Amada, é um prazer te ouvir dizer que sou o seu gato

E aquele que te interromper, eu juro que mato


Amada, me abrace e que seja eterno este terno contato

E o que sinto é imenso, nem sei o tamanho exato


Amada, me odeio se titubeio e sem querer a maltrato

E peço desculpas à vida, me sinto um ingrato


Amada, contigo no cerco eu perco o medo e já salto

E a coragem do tigre suplanta a cautela do rato


Amada, me ame e aceite o deleite que agora relato

E este doravante será nosso verdadeiro contrato


Amada, seu abraço é um passo a caminho do infarto

E ao notar sua beleza sempre me sobressalto


Amada, amada, juntos, do nada criamos tão belo ato

E na carne e na alma eis o nosso lindo retrato



sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Esta é uma versão expandida do poema "Questões", que postei um tempo atrás. Se alguém puder opinar sobre qual ficou melhor... agradeço bastante!

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O MAIS ANTIGO DILEMA


Quem sou eu pra entender
O mistério de amar você?
Caminho do destino
Sigo um risco tão fino
Coração pequenino
Pra todo esse querer

Existe jeito de traduzir
A regra que te fez surgir?

Ao escutar este sino
Regredido a menino
Em total desatino
Saio a lhe perseguir

__________

Alguém poderá me explicar
Por que preciso te amar?
Sentimento só cresce
E a tudo adormece
Nem o tempo arrefece
Esse meu precisar

Terei um dia exata noção
Do que me levou ao chão?
Do que não envelhece
Não escuta minha prece
Nunca desaparece
E nem me dá sua mão

__________

Como dominar o espanto
Que, assustado, acalanto?
Admiro seu jeito
Errado ou direito
Pressão em meu peito
Contida num canto

Há rota pra sair desta ilha
E fugir da armadilha?
Ou o mal já está feito
Me conformo e aceito
A cama onde deito
Nesta minha Bastilha?

__________

Pra que precisei descobrir
O tudo que não posso atingir?
E sempre te espero
Sem ti nada quero
Luto e me esmero
Só pra fazê-la sorrir

De que modo eu escaparia
Da única restante alegria?
Sempre me desespero
E em seguida supero
Assim que me recupero
Cai mais água fria

__________

De que modo chegou tão fundo
E se tornou todo meu mundo?
Seu olhar necessito
Pra calar esse grito
Que na alma repito
A cada segundo

Por que deixei se infiltrar assim
Essa força que não tem mais fim?
Desejo infinito
Até seu feio é bonito
Um mundo sem ti é esquisito
Não serve pra mim

__________

Qual é o remédio que cura
Este vício, esta ditadura?
Te tocar me faz vivo
Meu único objetivo
Meta que mais cultivo
E que jamais me satura

Onde posso me esconder
Da necessidade de te ver?
Sou pleno passivo
Só tenho um motivo
Exclusivo, definitivo
E que preciso conter

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Onde mais posso ter o conforto
Que revive um coração morto?
É vital estar bem perto
E de razão sou coberto
Seu errado é meu certo
E meu direito, seu torto

Saberei viver longe de quem
Me faz tão mal e tão bem?
Sinto-me um nada, um feto
Mero descartado objeto
O que dizer? Fico quieto
Melhor com dor do que sem

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Quando haverá mudança
No ritmo desta dura dança?
Algo que a suavize
Talvez me realize
Ou então cicatrize
A ferida da lança

Vale à pena a expectativa
De voltar a ter mente ativa?
Que corrija meu deslize
Que me “des-hipnotize”
Que dê fim a esta crise
E tudo vire lembrança

__________

Ter você é o que espero
Esquecê-la é o que quero
Fugir de onde caí
Não mais preso aqui
Recuperado ex-zumbi
Algo mais que um zero

Me perdoe, e me solte
Me dê vida, minha morte
Desde que a vi
Nunca mais lhe esqueci
Caixa de Pandora que abri
E acabou com minha sorte

__________

Todos conhecem o esquema
Solução que se torna problema

Aposto que você, paixão
Conheceu igual situação
Também quis sair da prisão
E entende este meu dilema

Me ame ou me esqueça
Faça com que algo aconteça
Com suavidade ou pressão
Chutando ou me dando a mão
Abra para mim um portão
Por onde a coisa desapareça...

...Antes que eu enlouqueça!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Este eu escrevi para meu filho. Não preciso explicar mais nada, não é?

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...E O NOME DELE É LOGAN



Filho que dei ao mundo
No fundo
Quer alcançar a mim,
Ser logo o que sou

Filho que me deu vida
E tão colorida, enaltecida
Sonho, sim, é com um sem-fim,
Onde nosso tempo parou



Filho que estou criando
E adorando!!!
Vejo-me em seu agir
E descubro um objetivo

Filho que eu saúdo
Meu Tudo, meu escudo
Anseio e receio nosso porvir
É meu motivo para estar vivo



Filho que eu trouxe aqui
Para chorar e sorrir
Me deu rumo, acertou meu prumo
Por quase nada, dou risada

Filho, meu filho incrível
Fez-me sensível, acessível
Inesgotável insumo
Minha alma enfim curada



Filho meu
Sou todo seu
Tenho agora foco
Pois é meu verdadeiro roteiro

Filho perto,
Filho certo,
Sua companhia por nada troco
Me tornou completo, me deixou inteiro



Filho
Se meus sonhos crescem ao seu redor,
Meus pesadelos pressupõe sua ausência
Filho
Você extrai de mim o inesperado melhor
E de sua proximidade imploro permanência
Filho
Sou grato por tê-lo comigo, meu melhor amigo
E viver deliciosa urgência
Filho
Quando correr qualquer perigo, serei seu abrigo
E ao Universo pedirei clemência

terça-feira, 21 de julho de 2009

Este eu acabei de escrever - de repente, bateu vontade de criar uma mensagem positiva... e não é que ficou mesmo bacana?

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SORRISO

Brilho que encanta o olhar de quem fita um rosto
Alentado em colher tal mensagem exibida com gosto
As agruras demandam atenções que perderam seu posto
Ofuscadas mesmo na sombra da mão, erguida a contragosto

O facho de luz radiante que fere um olhar incauto
Emana de dentes expostos sem receio ou sobressalto
Mas o que em verdade agride a quem nunca voa tão alto
É a mensagem otimista na face que aposta no pouso do salto

Vitamina que embala quem cala na força do gesto
E ignora a sombra perene a tornar o repasto indigesto
Pois o medo é um ímã que a todo instante atrai o funesto
E a compreensão da vida sorri com um efeito acima do resto

Sorrindo vestimos a aura que fere a ruim criatura
Lábios entornados no formato de uma gentil armadura
Aos ataques com desenho inverso ela calmamente perdura
Eis que a cota de malha mais dura é gerada por mera postura

Treinemos, então, para converter em ação este mito
É útil, agradável de vestir e - por que não dizer - gratuito
Só quem não o compreende considera seu pleno uso esquisito
Para um iniciado, além de escudo portado, é também algo bonito!

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Um breve agradecimento por atenções recebidas - fiz para uma amiga recentemente "redescoberta"

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AGRADECIMENTO


Obrigado
Por se colocar ao meu lado
Pegar no pesado
Pra desencavar meu eu enterrado

Agradeço
Pela consideração sem preço
Desde o começo
Nem sei se tanto mereço

Sou grato
A quem me considera de fato
Tendo eu pouco tato
Você persistiu e fortaleceu o contato

Gratidão
No tamanho inteiro do coração
Que grita, então
Acima do ribombar de um trovão

Valeu, valeu
Direcionaste bem este afeto teu
Já que há também o meu
E uma recíproca verdadeira ocorreu

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Esta foi uma homenagem que escrevi como presente no último Dia das Mães

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MÃE MINHA


O que hoje sou
Eu não fiz sozinho, eu não mereço o aplauso
Algo me moldou
E me afastou de um futuro ocaso

Minha base foi definida
Por quem me deu a vida

O mundo gira
E com novas situações o vínculo enfraquece
Mas nada tira
O núcleo que ora nos fortalece

Um cerne bem desenvolvido
Por quem me fez protegido

Toda a noção de ser
Que guiaria minha conduta e cada decisão futura
Brotou de seu saber
E me preparou pra esta luta dura

Deu-me caráter e bondade
Persistência e honestidade

Eu jamais criaria
Minhas próprias firmes e coerentes opiniões
Sem uma matéria fria
Que formasse estes embriões

Ela me mostrou o que é o Bem
Como não ser do Mal refém

Sobretudo sou grato
Por ter me protegido das agruras do mundo
Do perigo inato
Que pode nos conduzir ao fundo

Assim, seu esforço louvável
Manteve o filho vivo e saudável

Hoje, meu jeito de ser
Onde imperam impaciência e objetividade
Levam-me a com ela às vezes ter
Falta de cordialidade

Não expresso o mesmo carinho
Que recebia enquanto menininho

Por isto estou lhe devendo
Além da simples dívida do gerar e cuidar
O que estou aqui escrevendo
É uma forma de me desculpar

Palavras podem talvez curar
Por um sentimento real expressar

Até o filho que gerei
Recebe dela o mesmo inestimável presente
Que um dia também ganhei
E me transformou em gente

Ela deu-me o rumo que procuro
E então Ele me concedeu o futuro

E aqui estão as duas forças que a tudo dão sentido
Concedem simplesmente meu motivo de viver
Por meu Filho, encaro tudo com o peito erguido
Por minha Mãe, amo e sou amado pra valer

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Este poema é para quem está apaixonado...

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QUESTÕES


Serei eu capaz de entender
O mistério de amar você?
Caminhos do destino
Regredindo a menino
Coração pequenino
Pra tão grande querer

Alguém poderá me explicar
Por que preciso te amar?
Sentir que isso só cresce
E a tudo adormece
Nem o tempo arrefece
Esse meu precisar

Como dominar o espanto
Que sinto aumentando tanto?
Admiro seu jeito
Errado ou direito
Pressão em meu peito
Contida num canto

Por que precisei descobrir
O tudo que não posso atingir?
E sempre te espero
Sem você nada quero
Choro e me desespero
Pra não te deixar fugir
Todo dia eu me supero
E mesmo com chance zero
Luto e me esmero
Caio e me recupero
Só pra te fazer sorrir

Questões que em algum momento
Todos fazem, sem alento
Universal tormento
Enigma sem resposta
Só função
Questões do mais nobre intento
Sempre levadas pelo vento
Irrefreável sentimento
De quem gosta
De paixão


De que modo isto chegou tão fundo
E se tornou todo o meu mundo?
De seu olhar necessito
Pra calar esse grito
Que na alma repito
A cada segundo

Qual é o remédio que cura
O vício em tal ditadura?
Tocar você me faz vivo
Meta que hoje cultivo
Onipresente motivo
Que jamais me satura

Será que sem tal conforto
Meu coração estaria morto?
É vital estar bem perto
Por suas asas coberto
Seu errado é meu certo
Minha segurança é seu porto

Quando haverá mudança
No ritmo desta dança?
Algo que a suavize
Ou quiçá me realize
Indo de eterna crise
A fugidia lembrança
Ou que algo me hipnotize
De você eu não mais precise
Que a ferida cauterize
E ao coração avise:
Livre sob fiança

Questões que em algum momento
Todos fazem, sem alento
Universal tormento
Enigma sem resposta
Só função
Questões do mais nobre intento
Sempre levadas pelo vento
Irrefreável sentimento
De quem gosta
De paixão